Exposição e uso excessivo de ecrãs em crianças de idade pré-escolar e escolar (1º CEB): quanto menos, melhor!

Este post surge na continuidade de um anterior, partilhado há umas semanas atrás, no qual alertei para os efeitos da exposição precoce e prolongada aos ecrãs em idade de aquisição da linguagem, nomeadamente, no risco de a aquisição e o desenvolvimento da linguagem oral e da fala, nestas condições, poderem ficar seriamente comprometidos.

Como forma de iniciar esta reflexão, considero importante recordar as indicações da Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), de forma muito sucinta, sobre este assunto, para as faixas etárias a que me refiro neste artigo.  De acordo com o Expresso* “A O.M.S desaconselha a exposição das crianças até aos dois anos a ecrãs e recomenda que dos dois aos quatro anos seja limitada até uma hora diária.”

Estas indicações são bastante claras e não deixam margem para dúvidas quanto à utilização de ecrãs nas referidas faixas etárias.

Assim, perante as indicações da OMS e o período de confinamento que estamos a viver, o qual nos incumbe a estar em casa, surge a questão: o que podemos fazer para reverter esta tendência, por vezes já tão instalada nos mais novos, no que concerne à utilização de ecrãs?

Partilho convosco algumas recomendações que poderão ajudar nesta fase. São elas:

– Até aos 24 meses, devemos mesmo evitar qualquer exposição das crianças a ecrãs, com a exceção das videochamadas para comunicar com familiares e amigos próximos;

– Dos 24 meses até aos 5/6 anos, a exposição aos ecrãs não deverá passar de uma hora diária. Quanto ao conteúdo visualizado, este deverá ser de elevado valor educacional e deverá ser acompanhado pelos pais que deverão explicar o conteúdo e clarificar algum conceito ou dúvida que possa surgir;

– Mesmo a partir dos 5/6 anos, o tempo e o conteúdo das visualizações deverá ser sempre limitado, controlado e acautelado pelos pais e ser dado a conhecer às crianças para que elas conheçam as regras relativas à utilização de ecrãs;

– Os pais, enquanto modelos, são as referências dos filhos e valerá a pena refletir sobre o tempo que, os próprios, estão expostos a ecrãs (no caso do telemóvel, há aplicações que contam o tempo despendido com o mesmo; também nós, adultos, perdemos a noção do tempo quando estamos, por exemplo, nas redes sociais; estas aplicações, poderão ser uma boa opção);

– De preferência, e para não haver tentações, não deverão existir dispositivos com ecrã no quarto das crianças (já referi, no post anterior, o impacto que a luz azul dos ecrãs tem na qualidade do sono);

– Não permita o uso de ecrãs durante as refeições. Aproveite o momento das refeições para conversarem em família, para planearem o vosso dia ou o fim de semana, para saber como estão a correr as aulas on-line, etc. O momento das refeições, deverá ser um momento privilegiado de conversa pois, ao longo do dia, deverá ser dos poucos momentos em que toda a família está “disponível” ao mesmo tempo;

– Promova o desenvolvimento de brincadeiras e o envolvimento dos seus filhos nas tarefas domésticas, atribuindo pequenas tarefas, de acordo com a sua idade, ou pedindo a sua colaboração noutras. Dê asas à sua imaginação e torne essas tarefas divertidas! Vai ver que o seu filho vai apreciar estes momentos;

– Assegure de que há tempo destinado para outras atividades, tais como: ler, ouvir música, brincar, realizar exercício físico, fazer uma caminhada,  etc. Todas estas atividades devem ser privilegiadas e predominantes na vida de uma criança. A brincadeira livre e o faz de conta são exemplos de atividades que impactam, de forma positiva o desenvolvimento da criança. Aproveite e, a par com o seu filho, realize estas mesmas atividades. Será uma excelente forma de aumentar a vossa conexão bem como, o facto de retirar pequenos momentos ao longo do seu dia para estar com o seu filho, vai fazê-lo ser mais produtivo logo que retome as suas tarefas.

– Os ecrãs não deverão ser utilizados como forma de parar uma birra, de distrair as crianças ou de as por a comer. É importante que as crianças desenvolvam a sua capacidade de autorregulação e de saber lidar com a frustração perante situações problemáticas/desafiantes. Se nunca tiverem oportunidade de experienciar estas situações e sentimentos/emoções na infância, como poderão desenvolver estas competências que lhes irão ser tão úteis e imprescindíveis ao longo de toda a sua vida? Incentive o seu filho a pensar em alternativas e em formas de resolver os seus problemas e a encontrar estratégias que lhe permitam regular as suas emoções nessas alturas.


Para além destas recomendações, que outras estratégias utiliza para limitar a exposição a ecrãs aos seus filhos?

É fundamental a disseminação desta mensagem por toda a comunidade pois, embora se saiba que a exposição precoce e prolongada interfira no desenvolvimento harmonioso da criança, por vezes, desconhece-se de que forma é que essa exposição impacta, de facto, esse desenvolvimento bem como que estratégias utilizar para lidar com a situação.  

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Catarina Rios

Terapeuta da Fala

Coach Infanto-Juvenil


*Expresso. OMS desaconselha exposição das crianças com menos de dois anos a ecrãs. Disponível em: https://expresso.pt/sociedade/2019-04-24-OMS-desaconselha-exposicao-das-criancas-com-menos-de-dois-anos-a-ecras. Acesso a 16-02-2021